Mãe, cheguei

Mãe, cheguei

Postado por: Verena Barbosa Foltran Publicado: 13/05/2017 Lidos: 427 Comentários: 0

É mais ou menos assim que funciona: cheguei.
Não lembro como, e sinceramente, ainda não sei o porquê. Sincronicidades, decisões, acordos e quaisquer outros processos que me trouxeram até aqui, nesse planeta, desse jeitinho, não faço ideia.
Mas o que importa é que eu cheguei, certo?
O que importa é que você sentiu que estava pronta para me deixar chegar.

Tô aqui. O tempo foi passando, cresci e, de repente, eu estava ali.
E aqui de novo
Indo e vindo.
A vida tem dessas.

A questão é que ser mãe envolve um acordo inevitável com o universo dizendo que:
- Olha só, você tem esse pequeno ser de luz para criar, tomar conta, e amar incondicionalmente, mas ele muito provavelmente nem sempre vai demonstrar de volta e só vai começar a ouvir seus conselhos quando tiver uns 20 anos e se ferrando muito na vida. E aí, topa?

Aí a mãe vai lá e diz: topo.
Topo e ainda por cima aceito fazer mais do que está no contrato. Topo conviver com esse aperto no peito de ter uma parte (literalmente) de mim por aí e não ter controle nenhum sobre ela.

Mãe é f*@4.
E o aperto vai, o aperto vem… no final o aperto sempre fica. O aperto sempre arranja um espacinho prático naquela mensagem que ela nos manda furiosa porque a gente demorou para responder se estava tudo bem.

Nem sempre estava. Mas a gente se virou.

Mãe.
A vida tem essas de desatrelar.
Ela tem essa caminhada subconsciente e completamente imprevisível, em que um dia eu estou aí debaixo do seu teto e no outro decidi juntar as malas e me mudar.
A vida tem os dias de saco cheio, os dias de nervos à flor da pele, dias de eu não queria ter nascido. Porque, afinal, a vida tem de tudo.

Então, assim, respira fundo. Primeiro porque a nossa caminhada vai muito mais além dos nossos entendimentos; e segundo porque, diga-se de passagem, você fez um ótimo trabalho. Que não necessariamente renderá frutos hoje, amanhã… quiçá daqui alguns anos.
Quiçá nessa vida.

Seu ótimo trabalho não está na minha conta do banco, na parceria que eu escolhi pra vida, nos erros que eu cometi ou nas decisões que eu tomei.
O seu ótimo trabalho transparece no calor que você transferiu do seu coração para o meu, de uma forma que não foi sequer proposital. Foi inevitável.

A minha existência marcha ao lado da sua. Não por acaso. Nem por acidente. Mas pela benção do reencontro.

Porque cá entre nós, só a gente sabe que esse amor é de muitas e muitas outras vidas. Eu e você somos uma só, desde o primeiro contato. Que mesmo sem saber falar ou sequer abrir os olhos, em pensamento eu respondia: não chora, eu te amo incondicionalmente também, mãe.

Hoje, sabendo falar e incontáveis coisas que você me ensinou, palavras não são suficientes para demonstrar o quão sortuda eu me sinto por ser um pedacinho seu. Aprendendo e reaprendendo. Desmanchando e me refazendo. E quando não é você, a vida sempre dá um jeito de me lembrar como você sabe de tanta coisa: "eu sou sua mãe".
E ainda sobre seu ótimo trabalho, espero saber fazer metade do que você fez com a minha pequena.

Eu te amo, mãe. E obrigada por tudo. Feliz dia!

Verena Barbosa Foltran
Verena Barbosa Foltran é jornalista, ariana e tem 22 anos. Campineira, tem um pézinho no Rio Grande do Sul e atualmente mora na Irlanda. É apaixonada por futebol e tudo que sai fora da caixinha.




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